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Dicas de Homeschooling para a quarentena, com um “toque de humanidade”

(Foto: Avalon Evolutive School)


Historicamente, muitas inovações no campo da educação aconteceram durante e após momentos de crise. Montessori, Steiner, Piaget e Vygotski, por exemplo, surgiram com teorias educacionais inovadoras após as guerras mundiais.

Este fenômeno acontece porque em momentos de crise, começamos a priorizar aquilo que é efetivamente mais importante para nossa evolução como humanidade.

Convido vocês a fazerem a pergunta: o que é prioritário na educação em tempos de quarentena?

Para responder a esta pergunta, precisamos quebrar alguns paradigmas, deixar de lado crenças tradicionais e falar sobre educação do ser humano real. Neste processo, a organização do tempo e dos espaços, e as habilidades sócio emocionais são muito importantes.

Que tal saber um pouco mais sobre estes temas?


(Foto: Avalon Evolutive School)


Organização do tempo e dos espaços

Uma área de “trabalho” para a criança.

Ter um espaço reservado para a criança realizar suas atividades é muito importante. Um espaço ordenado ajuda na organização mental.

Pode ser uma escrivaninha com gavetas, ou uma mesa simples e uma caixa para guardar os materiais. Para atividades “melequentas” com cola, argila e tinta, forre esta mesa com plástico ou prefira um ambiente que seja de fácil limpeza. Você irá se estressar menos e dará mais liberdade para a criança experimentar se não estiver preocupado com manchas na mesa.

Além deste espaço “personalizado” para as atividades, deixe seu filho usar outros lugares: um sofá, o chão, um banco no jardim. O importante é que esta área esteja organizada e preparada: permanece aquilo que é necessário para a atividade e guardamos os objetos que não fizerem parte.

(Foto: Avalon Evolutive School)


Lista básica de materiais criativos.

Tendo os materiais certos, podemos incentivar as crianças a realizarem brincadeiras semiestruturadas. Com as matérias primas que encontrar em casa, ela pode inventar suas próprias produções e brincadeiras, desenvolvendo criatividade, organização e empreendedorismo. Aqui temos algumas sugestões de materiais:

· Materiais básicos de escritório: canetas, canetinhas, lápis de cor, borracha, régua, folhas, cola, tesoura.

· Materiais extras: palitos de picolé, palitos de espetinho, cola quente, papeis coloridos, massinha, papel crepon colorido, argila, compasso, réguas de desenho, pincéis, tinta guache, prancheta, glitter, lã, algodão, cordão, feltros e outros tecidos.

· Materiais recicláveis: garrafas de plástico, caixinhas de leite, embalagens, tampinhas, etc.

· Materiais naturais: galhos de árvore, pedras, folhas secas, flores secas, etc.

Utilize gavetas identificadas ou caixas decoradas para guardar cada um destes grupos de materiais.

Onde guardar o material produzido.

A criança irá produzir desenhos, documentos e obras de arte que você pode guardar para montar um registro de atividades. Ao rever e revisar tudo o que aprendeu e produziu, a criança reforça o aprendizado no cérebro e constrói a percepção do seu poder de realização, fortalecendo sua autoestima e autonomia.

Decore uma caixa de papelão ou de plástico junto com seu filho. Ali dentro, coloquem as atividades que ele for produzindo. Para montar uma sequência, coloque data e nome em cada folha. Quando finalizarem as atividades semanais, por exemplo, na sexta-feira à tarde, reveja as atividades e organize esta caixa junto com ele.

Organização do tempo juntos.

Você precisa trabalhar em casa e seu filho precisa do seu apoio neste momento. Quanto menores as crianças, mais elas pedirão sua presença para sentirem-se seguras, principalmente diante de coisas desconhecidas, como pode ser uma aula on-line. Este é um processo mais intenso no começo, mas que se for feito com paciência, garante as horas que você precisa para trabalhar.

O primeiro é estabelecer dois horários por dia, por exemplo, uma hora de manhã e outra de tarde (ou mais tempo, se você tiver), onde você estará exclusivamente atendendo seu filho, sem celular ou tarefas do trabalho. Mas lembre-se de não virar o “inspetor” da escola, cobrando e pressionando. A ideia é justamente o contrário: estar com ele presente, participar juntos das aulas e atividades, interessar-se pelos temas, ajudá-lo a investigar, perguntar e aprender juntos. Tome este tempo só para vocês dois e desfrute.

A autonomia é algo que se desenvolve durante este convívio, pois depende da construção da segurança que a presença de um adulto confiável pode proporcionar.

Fora destes horários “exclusivos” para vocês dois, cada um terá tempo para seu trabalho pessoal: ele continuará as atividades dele e você as suas, ainda que estejam juntos no mesmo ambiente. Comunique o que está fazendo: agora vou trabalhar, agora vou arrumar a casa, agora vou fazer uma ligação, etc. e pergunte o que ele está fazendo. Compartilhar a dinâmica da vida real é um grande aprendizado para a criança.



(Foto: Wix)


Habilidades sócio emocionais

Atualizar seus paradigmas sobre o que é educação.

O que é realmente importante na educação de uma criança?

Mais do que informações ou conteúdos, são as “soft-skills” que irão determinar o futuro dos nossos filhos: capacidades de comunicação, empatia, relações humanas...

Observe seu filho sob esta visão: veja se ele está mais feliz, confiante, autônomo, comunicativo, se percebe mais, se resolve situações e dá ideias, se organiza seus pensamentos e planeja ações.

Tenha o cuidado de não generalizar, esperando que ele esteja feliz sempre ou o tempo todo. O ser humano tem variações de humor e estados emocionais durante o dia. Observe o progresso real da criança em seu processo evolutivo: onde ela estava, onde ela está agora e para onde ela vai.

A educação tradicional está baseada em que as crianças recebam ideias de outras pessoas em forma de dogmas e crenças universais. Quebre este paradigma, deixe espaço para que seu filho perceba por si e tenha ideias. Ouça, valide e valorize suas perceções e suas criações. Desista de mostrar para ele quantas coisas você sabe. Pergunte como ele vê as coisas, o que espera, o que ele está pensando, como está imaginando, pergunte como ele realizaria seus projetos, desenhe junto com ele.

A oportunidade de conviver com seu filho de perto neste momento pode propiciar um grande avanço nas habilidades humanas e sócio emocionais (suas e dele), que são a base de outros tipos de aprendizado. Se pensarmos nos conteúdos escolares tradicionais, veremos que podem ser recuperados a qualquer momento, principalmente se estamos equilibrados.

Os novos paradigmas do ser humano

Estude neurociência, física quântica, o cérebro e as emoções, meditação e, principalmente, estude sobre a atenção e a percepção. São os paradigmas que dirigem a nova educação.

Já se foi o tempo em que a palavra “atenção” significava somente “concentração” e que este era o principal indício de que alguém estava aprendendo. A atenção focal é uma parte do processo, mas precisamos também de atenção global para completar o processo de “perceber” o mundo.

A física quântica já comprovou que existe comunicação e aprendizado não local, mediante neurônios espelho e emaranhamento (entanglement) entre pessoas.

Os estudos do cérebro sobre emoções mostram que a pressão e o castigo fazem o cérebro ficar menos inteligente, e que o relaxamento e a confiança aceleram o aprendizado em até 3 vezes.

A neurociência mostra que o verdadeiro aprendizado acontece ao perceber com liberdade todas as possibilidades do mundo, como ele funciona e como o ser humano funciona. Cada nova percepção é uma nova inteligência desenvolvida.

Estudos com pessoas meditando mostram que todo ser humano pode aprender a manifestar sua empatia, compaixão e fé, e que são atributos inatos a ele, basta conhecer-se. Isto não se aprende de fora para dentro.

Homeostase e resiliência

A homeostase é o processo dinâmico que nosso sistema nervoso realiza para estar equilibrado. Neste estado, nosso cérebro e muitas outras funções estão disponíveis, entre outras coisas, para aprender, para amar, de forma prazerosa e relaxada. Para uma criança, compreensão e incentivos carinhosos ajudam na homeostase. Castigos e ameaças fazem o papel contrário: afastam da homeostase, gerando estresse.

O problema é que o estresse, através do medo e da tensão, faz com que as funções executivas do cérebro (nossa parte intelectualmente inteligente) não estejam tão disponíveis, pois não recebem irrigação sanguínea suficiente, já que o sistema nervoso se concentra em se defender, e não em aprender. Por isso, nestas situações, esquecemos muitas coisas que sabíamos antes.

A capacidade de voltar à homeostase do sistema nervoso, quer dizer, voltar ao estado de “equilíbrio” emocional e mental é o que se chama de resiliência. É fundamental para que o aprendizado aconteça de forma natural e espontânea. Como falado acima, estudos em neurociência mostram que quando a criança está confiante e relaxada, ela aprende até 3 vezes mais rápido, simplesmente absorvendo e percebendo as informações do ambiente.

Atividades que desenvolvem várias áreas do cérebro

Matemática, geografia, história, português... Cumprido!

Agora deixe espaço e tempo para atividades artísticas, que além de muito prazerosas, consolidam a relação afetiva entre você e seu filho. Trabalhe com argila, colagem, recortes, danças, karaokê, toque instrumentos, faça marcenaria, exercício físico, crafts e Do It Yourself.

A música, a movimentação física e as habilidades manuais relaxam, dão ritmo, geram hormônios do prazer e ajudam o cérebro a movimentar os dois hemisférios ao mesmo tempo, ativando áreas importantes para o aprendizado e sua consolidação.

Leia contos, conte histórias de sua infância, criem histórias juntos, façam teatro, usem a fantasia para criar um castelo com dragões no meio de sua casa. Ouçam música juntos, cozinhem juntos, pintem um quadro, façam vídeos.

Nem todas as atividades precisam ter uma resposta certa ou resultar em produção. Atividades de contemplação, mindfulness e reconexão são muito úteis para treinar a atenção e a percepção, e para voltar à homeostase durante o dia ou à noite antes de dormir. Podem ficar deitados juntos olhando as nuvens no céu, observando como o gato se move, simplesmente respirando, olhando nos olhos, fazendo carinho ou observando como são seus pensamentos, suas ideias, suas emoções, sem julgamentos, sem certo ou errado, permitindo que existam como estão naquele momento.



(Foto: Avalon Evolutive School)

A autoestima da criança

Na Avalon, temos um lema: falamos das ações e seus resultados, e não das crianças. O ser da criança é preservado intacto, sem rótulos. Suas ações são observadas, reconduzidas, melhoradas. O processo de aprendizado consiste em gerar novas perceções ou inteligências e modificar as ações com base neste conhecimento adquirido.

As ações geram resultados positivos ou negativos, e as crianças são capazes de diferenciar isso e corrigi-las, sem necessidade de chamá-las de “lentas”, “teimosas”, “burras” ou outras rotulações. Sabemos o quão dolorosos são os rótulos, pois foram utilizados em nossa educação, e como afetam a percepção de valor que a pessoa tem de si. Assim se forma a baixa autoestima, acabamos acreditando que somos aquele rótulo.

A autoestima saudável é fundamental para que a criança desenvolva sua autonomia no aprendizado, a sensação de que “posso aprender o que eu quiser”. Para perceber a confiança em si mesma, ela irá primeiro se apoiar nos adultos de referência. É o momento de ajudá-la, independentemente de erros, tentativas ou o que possa acontecer durante o aprendizado. O humor é uma ferramenta muito importante, saber rir dos supostos “erros” faz com que fiquem mais leves na memória e a aprendizagem mais gostosa, sem medo da experimentação.

Um dos maiores medos de uma criança é deixar de ser amada por seus pais. Não deixe que seu filho perca o amor e a admiração que você tem por ele em função de uma tarefa que não foi feita no prazo. Ela sempre poderá ser realizada em outro momento. O principal é manter o vínculo afetivo com seu filho. Ele é mais importante que qualquer conteúdo.

A escolha útil

Finalmente, ensine seu filho pelo exemplo. Quando a crise passar, vamos olhar para trás e ver-nos como vítimas da situação ou como protagonistas? Você tem escolhas na vida.

A posição de vítima se queixa da situação e justifica seus estados emocionais: “é porque as escolas estão fechadas, tenho muito trabalho, as aulas não são suficientes, ou são demais, o governo... o ministro..., meu filho...” É o famoso “mi-mi-mi”.

O problema é que a vítima acha que não tem poder e sofre de raiva impotente e frustração, acusando os demais deste sofrimento e demandando que mudem, o que gera mais impotência, raiva e frustração.

E por outro lado, temos a posição de protagonista. O protagonista é aquele que, apesar das frustrações, escolherá desenvolver suas habilidades e usar seus poderes, manter suas visões, ajudar os outros, estudar, descobrir novas formas, quebrar paradigmas.

Aproveite a quarentena para aprender a lidar com suas expectativas, frustrações, inseguranças. Que tal descobrir habilidades que você não sabia que tinha e desenvolver aquelas que você está precisando agora, mas que nunca aprendeu?

Quando somos melhores seres humanos, automaticamente vamos melhorar como pais, mães, profissionais, amigos. É uma boa hora para começar. Boa sorte!



Samantha Diegoli

Empolgada em estudar o funcionamento do ser humano e movida pelo amor às crianças.

Atuou nos últimos 15 anos como consultora e terapeuta em desenvolvimento humano, com trabalhos para escolas, ONG’s e empresas. Com experiência e formação internacional e multidisciplinar, é Doutora em Psicologia pela Universitat de Barcelona, Mestre em Neurociência pelo Instituto Europeo Miguel de Cervantes e Diplomada pelo Human Givens College, UK.

Fundadora e Diretora da Avalon Evolutive School, em Florianópolis.

A Avalon Evolutive School trabalha com educação infantil e fundamental, aplicando o currículo tradicional de forma divertida e multidisciplinar e integrando-o com o desenvolvimento de habilidades humanas, fundamentais para uma educação que busca entender o ser humano real.


Para saber mais: avalonschool.com.br

Instagram: avalonevolutiveschool

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